Reprodução/CGN CascavelPreço de carro usado sobe 6,87% em 12 meses e supera inflação, aponta BV
O IBV Auto, índice do banco BV para automóveis leves usados, registrou alta de 0,57% em junho e acumulou avanço de 6,87% nos últimos 12 meses — patamar acima do IPCA-15 de junho, que aponta 4,80% no mesmo período.
O ritmo de alta acelerou em relação a maio, quando o índice havia subido 0,43%, mas ficou abaixo da média do primeiro trimestre de 2026, que foi de 0,72%. Os dados foram antecipados pelo banco ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
No primeiro semestre de 2026, os preços dos usados acumularam alta de 3,49%, resultado superior ao de 1,98% registrado no mesmo período de 2025.
A alta foi disseminada pelo país: todos os 27 estados registraram variação positiva em junho. Por região, o Sudeste liderou com 0,83%, enquanto o Centro-Oeste teve o menor avanço, de 0,32%. Entre os estados, Minas Gerais registrou a maior alta mensal (1,64%) e Mato Grosso do Sul, a menor (0,09%).
Em 12 meses, Minas Gerais também liderou (8,48%), seguida por Rio de Janeiro (7,20%), Sergipe (7,08%) e Piauí (7,06%). As menores altas no período ficaram com Mato Grosso (4,34%), São Paulo (5,27%) e Santa Catarina (5,38%).
O economista-chefe do BV, Roberto Padovani, atribui o desempenho a fatores de oferta e demanda. Pelo lado da oferta, ele aponta que a maior competitividade no mercado de zero-quilômetro — com novas marcas, modelos e tecnologias a preços mais acessíveis — elevou a busca por veículos novos e, com isso, aqueceu também o mercado de usados. Pelo lado da demanda, cita o mercado de trabalho aquecido e uma oferta de crédito que ele classifica como "resiliente", mesmo diante dos juros elevados.
Para o segundo semestre, Padovani espera desaceleração do índice em 12 meses, com base de comparação mais forte em julho e agosto do ano passado. Uma eventual perda de fôlego da atividade econômica pode aproximar o IBV Auto da inflação cheia.
O levantamento também identificou forte desvalorização entre veículos eletrificados lançados em 2023. Os elétricos acumulam queda de 46,1% no ano até junho, movimento associado à redução de preços dos modelos zero-quilômetro diante de maior concorrência e estratégias mais agressivas das montadoras. Os híbridos de 2023 registraram desvalorização média de 26,1% no período, ante recuo de 19,6% em modelos a combustão comparáveis.
Fonte: CGN Cascavel